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Leprosaria Nacional Rovisco Pais

Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro Rovisco Pais (antiga Leprosaria Nacional Rovisco Pais), Tocha Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro Rovisco Pais (antiga Leprosaria Nacional Rovisco Pais), Tocha

 

Em 1938, perante a rápida evolução da Doença de Hansen (comummente conhecida por “lepra”) em Portugal e nas Colónias, o governo liderado por António de Oliveira Salazar decidiu implementar um programa para a erradicação e profilaxia da doença.

Foi Fernando Bissaya Barreto, médico e professor da Universidade de Coimbra, quem demonstrara a urgência do combate à doença e o atraso face a outros países da Europa, persuadindo o governo a criar um projeto pioneiro e exemplar.

Aproveitando a herança de José de Rovisco Pais, filantropo que deixara 10.000 contos de herança aos serviços de saúde, a “Leprosaria Nacional Rovisco Pais” pôde avançar rapidamente, mais rápido do que a própria doença.

Carlos Ramos foi o arquitecto destacado para o projeto, que encontrou local na pequena Vila da Tocha, longe dos centros urbanos, da sociedade civil, perto da maresia e dos ares frescos, ideais para o tratamento da lepra.

Os 144 hectares de extensão da Quinta da Fonte Quente, um antigo terreno dos frades crúzios do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, receberam um modelo de arquitectura assistencial nunca antes visto em Portugal: um eixo central, composto pelos edifícios de utilização comum (hospital, capela, convento), e alas independentes, divididas simetricamente, com edifícios habitacionais e educativos para homens e mulheres.
Em 7 de Setembro de 1947, após a sua inauguração, a estrutura da leprosaria estava preparada para receber os primeiros doentes.

Mas os hansenianos nem sempre vieram de espontânea vontade: por todo o país circularam brigadas médicas e policiais que os procuraram e transportaram, coerciva e compulsivamente, para o Hospital Rovisco Pais. Estas brigadas eram guiadas pela população, à qual era solicitada a denúncia dos casos conhecidos da doença.

Após a identificação do doente, todos os seus bens eram confiscados e queimados, e os seus filhos, quando saudáveis, eram entregues a instituições sociais ou a familiares.

Sempre que um bebé nascia na leprosaria era imediatamente afastado da mãe e levado para o chamado “Preventório”, um local inócuo onde recebia todos os cuidados necessários a um recém-nascido. Os pais poderiam vê-lo e acompanhar o seu crescimento ao longe, atrás de uma barreira de vidro.

Os “guardas de pau” (assim chamados por circularem armados com paus) garantiam que os doentes não transpunham o separador das alas masculina/feminina (“Paralelo 38”, na gíria dos hansenianos) ou as sebes espinhosas do aldeamento. Quem ousasse desrespeitar as regras de conduta do hospital, era encaminhado para a prisão ou para o asilo de doentes difíceis. Contudo, apesar da violência dos meios utilizados e da inevitável segregação, o objetivo principal do projeto de Bissaya Barreto pretendia devolver dignidade e esperança de vida aos doentes, oportunidades sociais e assistência médica. Esta era “uma luta contra a lepra e não contra o leproso”, como o mesmo afirmou.

Aqui os doentes tinham acesso a água potável (indispensável na estabilização da doença), eletricidade e ensino. Havia sessões de cinema ao ar livre, jogos de futebol, excursões e colónias de férias pelo país. As oficinas de trabalho e a agricultura garantiam a sustentabilidade da leprosaria, que era praticamente auto-suficiente.
Aos poucos, os leprosos foram tratando as suas feridas e adaptando-se a uma nova vida.

No total, terão sido mais de 3000 os doentes que validaram a existência do projeto de Bissaya Barreto, e graças a ele, na década de 80, a doença foi finalmente erradicada em Portugal. A missão do Hospital-Colónia Rovisco Pais estava cumprida e, em 1996, foi extinto, para dar lugar ao Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro Rovisco Pais.

Atualmente, ainda ali vivem cerca de uma dezena, dezena e meia, de idosos ex-doentes de lepra.

Estes teriam contado a história da Leprosaria Nacional Rovisco Pais muito melhor do que nós, na primeira pessoa.

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