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Quando a Rua da Sota fechava ao trânsito

Edifício da Agência do Banco de Portugal de Coimbra, na intersecção da Rua da Sota com o Largo da Portagem Edifício da Agência do Banco de Portugal de Coimbra, na intersecção da Rua da Sota com o Largo da Portagem


O Banco de Portugal foi criado em 1846, por decreto-régio, a partir da fusão do Banco de Lisboa e da Companhia Confiança Nacional, tendo as funções de banco comercial e emissor de moeda. Até à sua nacionalização, ocorrida em 1974, o Banco era maioritariamente privado.

Em 1887, o Banco de Portugal assinou um contrato com a Monarquia tornando-se no banco oficial do Governo e Caixa Geral do Tesouro. Neste âmbito, foram criadas agências do banco em todas as capitais de distrito.

Arnaldo Redondo Adães Bermudes foi o arquitecto escolhido para projetar algumas dessas agências – incluindo, Vila Real, Faro, Bragança, Viseu, Ponta Delgada, Évora, além de Coimbra. O portuense, filho de galegos e maçon, concluiu os estudos de Belas Artes em Lisboa. Durante o seu percurso académico, passou por Paris e viajou pela Europa, onde absorveu uma visão eclética e peculiar de arquitectura.

Em Coimbra, para além da Agência do Banco de Portugal, Adães Bermudes foi ainda o responsável pelo projeto da Escola Central Primária de Santa Cruz, Escola Primária S. Bartolomeu e Hotel Astória. São também da sua autoria o Monumento ao Marquês de Pombal, o Hospital da Covilhã, o Instituto Superior de Agronomia, entre muitos outros.

Apesar de a Agência do Banco de Coimbra ser anterior a este acordo (existia desde 1891), era necessário modernizá-la e torná-la num símbolo de poder económico e financeiro.

Após o lançamento do concurso público, as obras iniciaram em 1910. O local escolhido não poderia ter sido outro: o Largo Príncipe D. Carlos (atual Largo da Portagem), porta de entrada da cidade e centro económico e comercial.

A planta do edifício mandou que as caixas fortes blindadas ficassem localizadas na cave, onde se armazenavam valores e dinheiro. Por vezes, fechava-se a Rua da Sota (contígua à Agência) ao trânsito, para se efetuarem carregamentos de dinheiro em segurança, carregamentos que iriam abastecer as agências concelhias.
O rés-do-chão ficou destinado aos serviços de atendimento ao público, num hall espaçoso, decorado com vitrais de Arte Nova de Cláudio Martins. O edifício tinha aquecimento central.
No 1º andar, situavam-se os principais serviços financeiros do Estado: repartição de Finanças, Caixa Económica Postal e a Direção da Agência.
Do lado de fora, a decoração em pedra e o gradeamento em ferro ficou a cargo do atelier Francisco dos Santos & Filho, um dos mais conceituados da época.
Dois anos depois as obras ficaram concluídas.

A partir da década de 70, inicia-se o encerramento de algumas agências concelhias, e depois de outras distritais. Com a chegada da moeda europeia, o Banco deixa de ser emissor.
No início do milénio, a Agência é alvo de trabalhos de recuperação, mantendo-se em condições dignas até ao atual momento.

Apesar de já não se manter em funções, mais de 100 anos após a sua construção, o edifício da Agência do Banco de Portugal de Coimbra continua a inspirar credibilidade, confiança e solidez através das suas características arquitectónicas. Revivalista e eclético, Adães Bermudes marcou não só a arquitectura bancária portuguesa, como a arquitetura da cidade.

 


 

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