Conimbriga - Estes romanos não eram nada loucos
Deixamos Coimbra, seguindo pela EN1 até Condeixa e, em apenas 15 minutos, recuamos pelo menos dezanove séculos de História. Esta “cápsula expresso do tempo” é a estação arqueológica romana mais bem preservada em Portugal e uma das dez melhores e menos conhecidas ruínas antigas do mundo para o The Guardian (Uau!).
Os romanos terão aqui chegado no ano de 138 a.C., durante o período de governação do Imperador Augusto e aqui permanecerem até à impiedosa invasão dos suevos no séc. V. Ao longo do tempo, foram construindo uma urbe com todas as instalações necessárias: habitações, termas, piscina, forum, muralha, cemitério, basílica. Havia até um aqueduto que fornecia a cidade e as termas, cuja água provinha de uma nascente na aldeia próxima de Alcabideque. As casas senhoriais como a Casa dos Repuxos, a Casa de Cantaber ou a Casa da Cruz Suástica, atraem-nos pelos seus mosaicos com diferentes motivos: geométricos, mitológicos (como o famoso Labirinto do Minotauro), ou de episódios do dia-a-dia. Na imponente Casa dos Repuxos existe um magnífico peristilo ajardinado e, com apenas 0,50€, podemos ver o local ganhar vida própria com um jogo de 500 repuxos que conservam ainda a estrutura hidráulica original.
Apesar da racionalidade e pragmatismo dos romanos em muitas áreas, este era um povo intensamente supersticioso. Prova disso é o chamado “vaso ritual” que contém a representação de um falo, e que era enterrado debaixo das casas, protegendo assim os romanos do mau-olhado. O Cristianismo, por sua vez, terá chegado a Conimbriga entre os séculos IV e V, anunciando o colapso do Império Romano.
Do vasto acervo do Museu Monográfico, que se dedica precisamente a cuidar e expor os artefactos encontrados nas Ruínas, fazem parte, entre outras peças, brincos, pentes, pulseiras e anéis; instrumentos médico-cirúrgicos e de higiene; lamparinas de azeite; e instrumentos agrícolas - tão minuciosamente elaborados quanto preservados. E tudo isto que se pode ver e visitar é apenas 17% do total de 24 hectares da cidade romana.
No final, não podíamos deixar o restaurante do Museu sem, à boa maneira romana, provar um copo do melhor vinho desta região, conhecida atualmente como Terras de Sicó.
Onde ficar
HD | Duecitânia Design Hotel