Como todas as histórias de reis e rainhas – ou neste caso, de viscondessas, princesas e duques – também esta história tem um prólogo. Começa com uma viagem.
Deixamos mais uma vez Coimbra, e seguimos o curso serpenteante do Rio Ceira até sermos, pouco a pouco, engolidos pela paisagem de serra. O céu que nos acompanha vai mudando de personalidade e o bom frio montanhês atravessa-nos as lãs mais quentes. Já tínhamos conhecido a Serra da Lousã anteriormente, as suas aldeias de xisto, o Castelo e a lenda da Princesa Peralta. Contudo, a Lousã tinha ainda uma outra Princesa, guardiã de um palácio.

No final do século XVIII, em plena Revolução Industrial e fase próspera para a vila da Lousã, Bernardo Salazar Sarmento d’Eça e Alarcão, juiz desembargador e cavaleiro da Ordem de Cristo, decide empreender o legado de família - o Palácio dos Salazares. A sua filha, D. Maria da Piedade de Melo Sampaio Salazar, a Viscondessa do Espinhal, deu continuidade ao projecto, embora o seu dia tenha chegado antes de poder ver a obra finalizada. O Palácio da Viscondessa do Espinhal, como também ficaria conhecido, está classificado como Património Histórico de Interesse Público.
O imóvel manteve-se na família Salazar durante mais de um século, e antes de se ter tornado num hotel, foi também a primeira tipografia da vila da Lousã e lugar de tertúlias e de vida cultural intensa. Deu ainda lugar ao episódio inusitado em que o General Massena, aqui hospedado durante as Invasões Francesas, fugiu apressadamente quando se preparava para jantar, depois de receber a notícia da derrota das tropas do General Ney na Batalha da Foz de Arouce. Pouco depois, chegou o Duque de Wellington, que se sentou à mesa do restaurante do palácio e degustou o jantar preparado para o inimigo bélico.
O Palácio da Lousã foi o primeiro “Boutique Hotel” existente no país. Tomou o lugar do antigo edifício do Palácio dos Salazares, tomando também as suas estórias e o seu semblante. Sob a tutela do Grupo DHM (Discovery Hotel Management), o Palácio da Lousã é hoje um hotel de 4 estrelas, que conjuga o melhor da tipologia “boutique” – o ambiente acolhedor e familiar, os aspectos decorativos e estilísticos e o atendimento diferenciado.

Dispõe de 46 quartos divididos entre o edifício do Palácio e a Ala Nova, um acrescento modernista ao antigo edifício, onde se situa também o Centro de Conferências do Hotel. A Sala Magnólia e a Sala das Camélias, ambas com capacidade para receber reuniões e casamentos, debruçam-se sobre o jardim com vista sobre a serra.
As Salas do Brazão, do Oratório e João Antunes, e a escadaria com balaustrada que lhes dá acesso, mantêm ainda a traça original do Palácio.

O Restaurante “A Viscondessa” é capaz de nos transportar para os tempos áureos das casas senhoriais típicas da Lousã, e para com as quais o tempo tem sido cortês e delicado.
Os painéis de frescos nas paredes e as madeiras sublimadas pela luz dos candeeiros dão-lhe um exotismo requintado, propenso a banquetes refastelados. A nova carta d’A Viscondessa, assinada pelo Chef Miguel Silva, utiliza e reiventa os ingredientes locais: truta, Mel Serra da Lousã DOP, frango do campo, ervas aromáticas, azeitona e ouro verde. A escolha dos vinhos que acompanham cada prato é da responsabilidade do Sommelier Tiago Silva.
• O Frango no campo •

• Truta fumada sobre batata doce assada e grelos salteados •

• Rojão assado com milhos transmontanos •

• Torta de azeitona e gelado de tangerina •

• Chef Miguel Silva, Chef e Sommelier Tiago Silva, Auxiliar Nuno Almeida •

Os jardins do hotel, cirurgicamente cuidados, exibem o ecletismo de um jardim botânico, com espécies tão diferentes como magnólias, camélias, gingko bilobas, ciprestes, palmeiras, azevinho e muitas outras. As fontes centenárias e a piscina refrescam este espaço, que alberga ainda, no seu piso inferior, um Parque Infantil. Dada a sua localização nas traseiras do hotel, torna-se num lugar protegido, com uma vista sublime sobre a montanha.

No imponente Palácio da Lousã, o que mais chama a atenção é o detalhe: na decoração, na comunicação ao cliente, no ambiente. Em todos os espaços sentimos a mão acolhedora e esmerada do staff, que preparou e anteviu as nossas vontades, de forma tão cuidada e discreta com a qual só um familiar atento competiria.
A música chill out, a faiança decorativa, as infusões da Cerdeira servidas na recepção, os cestos de nozes e maçãs disponíveis nas salas do hotel, os quadros com vultos chamativos (entre eles, Eugénio de Andrade, Florbela Espanca, e João Antunes, um dos proprietários do hotel), a arcada de acesso ao jardim, e a bicicleta vintage estacionada na recepção, são pormenores primorosos dignos de apreciação.
Os apontamentos neoclássicos e barrocos encontram aqui uma harmonia ímpar com o design moderno e minimalista. A estes, juntou-se uma filosofia de sustentabilidade e amiga da natureza. Na recepção, é possível alugar bicicletas e há sugestões de desportos e caminhadas na natureza. É também um hotel receptivo a animais, e que, como indicámos logo de início, tem uma princesa como hóspede permanente e feroz guardiã - a Princesa Louzanita.



Palácio da Lousã Boutique Hotel
Rua Viscondessa do Espinhal
3200-257 Lousã, Coimbra
Portugal
Direção: Paulo Teixeira de Carvalho
Website: http://www.palaciodalousa.com
Email geral: info@palaciodalousa.com
Reservas: reservations@palaciodalousa.com
Telefone principal: +351 239 990 800
Como chegar:
Coordenadas GPS: N: 40.109132 | W: 8.246158
Desde a Autoestrada A1 (Lisboa-Porto) [percurso mais indicado]
Deixar a A1 na saída 11 (Condeixa/Lousã). Após deixar a A1, entre na A13 em direcção a Miranda do Corvo e Lousã. Cerca de 35 km depois, sai na indicação que diz Miranda do Corvo/ Lousã, pela estrada Nacional 342. Cerca de 15Kilometros e já dentro da vila seguir sempre as indicações "Centro" e "HOTEL". Chegando ao Largo da Igreja Matriz seguir em frente e, cerca de 80 metros à direita, encontrará a entrada do Palácio da Lousã.
Desde Coimbra
Procurar a saída para a EN17 e seguir nessa direcção durante 17 km. Ao km. 20, depois da saída para Foz de Arouce/Casal de Ermio, deve sair para a N236, seguindo as indicações "Lousã". Dentro da vila seguir sempre as indicações "Centro" e "Hotel". Chegando ao Largo da Igreja Matriz seguir em frente e, cerca de 80 metros à direita, encontrará a entrada do Palácio da Lousã.
Na Vila da Lousã siga as direcções Centro e Hotel. Passe a Igreja Matriz, que surgirá do seu lado esquerdo, e cerca de 80 metros à frente encontrará o Palácio da Lousã do seu lado direito.
As nossas sugestões do que visitar:
• Aldeias do Xisto (Talasnal, Candal, Cerdeira, Casal Novo, Chiqueiro)
• Restaurante Ti Lena
• Castelo de Arouce
• Ermidas N. Sra. da Piedade
• Igreja Matriz da Lousã