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segunda, 02 novembro 2015 17:07

27 razões para visitar Coimbra


Para quem nunca visitou Coimbra, para quem planeia (re)visitar, para quem é de cá e gostava de a descobrir melhor, ou até para quem não está a pensar no assunto – este é um guia para todos. Todos os que se entusiasmem por um passado histórico rico, por vivências académicas intensas, pela arquitectura de cortar o fôlego, pela religiosidade da doçaria, pela ciência que cria e que destrói, e até mesmo, por histórias de amor e saudade. São (pelo menos) 27 boas razões para aproveitar o melhor da cidade!

 

1 – Universidade

A Universidade de Coimbra é a mais antiga de Portugal e uma das mais antigas da Europa, e comemora este ano 725 anos desde que foi fundada por El-Rei D. Dinis, em 1290. Depois de um período entre Lisboa e Coimbra, a Universidade fixou-se definitivamente aqui, em 1537, por vontade de D. João III.

A instituição teve um contributo decisivo na criação e desenvolvimento da língua portuguesa, tendo sido recentemente elevada a Património Mundial da UNESCO, a par da Alta e Sofia.

No Paço das Escolas, poderá visitar a Sala dos Capelos, Sala do Exame Privado e Sala das Armas, a Torre da Universidade e a “Cabra” (o seu sino mais famoso), bem como a Prisão Académica. Só ainda não é possível visitar a Capela de S. Miguel, por se encontrar atualmente em obras de recuperação.


2 – Biblioteca Joanina

Coimbra tem uma das bibliotecas mais bonitas do mundo, a Biblioteca Joanina. Construída em 1717 para substituir a antiga e degradada Casa da Livraria, a Biblioteca – que seria inicialmente apenas uma sala – ganhou a dimensão de um edifício, graças à generosidade e mecenato do Rei D. João V. É, aliás, a ele que a Biblioteca Joanina deve o seu nome.

Foi construída sobre uma antiga prisão, e foi também nesta altura que se construíram as famosas Escadas de Minerva. Exibe tectos sobejamente pintados, madeiras tropicais e decoração em talha de ouro, bem ao gosto do barroco português. As condições de conservação dos livros são cuidadosamente mantidas através de paredes com 2,11 metros de espessura, madeiras que absorvem a humidade, e morcegos que durante a noite se alimentam dos insectos inimigos dos livros.

Atualmente, conta com um espólio de 60.000 livros, entre eles algumas raridades como uma primeira edição d’Os Lusíadas e uma Bíblia Hebraica (um dos vinte exemplares existentes em todo o mundo). Visitá-la é um regalo para os sentidos, pois para além de tudo o que se vê e sente, aqui cheira a livros como em nenhum outro lugar.

 

3 – Muralha

Coimbra teve em tempos uma muralha mais ou menos circular, que terá sido erguida no período romano. Esta muralha era intervalada por portas e torres de defesa ao longo da sua extensão. Apesar de não ter chegado aos nossos dias tal como era, ainda existem vestígios da mesma, que nos ajudam a imaginar como seria. O mais conhecido desses vestígios será a Porta e Torre de Almedina, o principal ponto de entrada da muralha, e imediatamente antes, a Porta de Barbacã, que reforçava a defesa da anterior. Para além destas, subsistem ainda a Torre da Contenda que serviu de base para a construção do Palácio Sobre Ripas; a Torre do Prior de Ameal, mais conhecida por Torre de Anto – devido ao facto de lá ter vivido o poeta António Nobre – e que alberga hoje o Núcleo da Guitarra e do Fado de Coimbra; e a Torre de Belcouce, incorporada pelo antigo edifício do Governo Civil. Recentemente, a Câmara Municipal de Coimbra recuperou uma parte da muralha da Couraça de Lisboa, que à noite se ilumina para nos lembrar da nossa história.

 

4 – Sé Velha

A Sé Velha, ou Catedral de Santa Maria de Coimbra, é considerada uma das jóias do românico português, e a mais bem preservada de todas. Foi D. Afonso Henriques quem a mandou construir a Mestre Roberto, no início do séc. XII. Cravada na colina, de atitude austera e defensiva, como que a cair sobre nós, é reveladora do período em que foi construída: a Reconquista Cristã. É aqui mesmo que está sepultado o moçárabe D. Sesnando Davides, Conde de Coimbra, responsável pela defesa dos territórios a sul do Rio Mondego durante esta fase. Para além do românico, a Sé Velha exibe elementos renascentistas, como a Porta Especiosa - obra do famoso escultor João de Ruão, pertencente à Escola Coimbrã.

 

5 – Sé Nova

Esta catedral começou a ser construída em 1598, no Antigo Colégio dos Jesuítas ou Colégio das Onze Mil Virgens, tutelado pela Companhia de Jesus, expulsa de Portugal em 1759 pelo Marquês de Pombal. Na sequência do seu plano de modernização da Universidade, o Marquês mandou instalar neste Colégio o Museu de História Natural. A Igreja essa, recebeu a transferência dos cónegos da Sé Velha, e passou a chamar-se “Sé Nova”.

Situa-se no “Largo da Feira”, assim chamado por ter sido o local da “Feira Franca dos Estudantes”, o centro da vida académica, e local da Queima das Fitas. Hoje em dia, é ainda aqui que se realiza a Queima do Grelo, antes do cortejo da Queima das Fitas, e é na Igreja da Sé Nova que se faz a cerimónia da “Benção das Pastas”.

 

6 – Ciência

Coimbra oferece-nos alguns espaços científicos que podemos visitar, sozinhos ou em família. Um deles é o Museu da Ciência, localizado no renovado edifício do Laboratório Chímico, construído por ordem do Marquês de Pombal.

O Museu apresenta coleções científicas pertencentes à Universidade, experiências interativas, e exposições permanentes como os “Segredos da Luz e da Matéria”.

Do Museu fazem também parte as Galerias de Zoologia, Mineralogia e Botânica, e o Gabinete de Física, localizados no Colégio das Onze Mil Virgens (referido no ponto anterior). De salientar que o Gabinete de Física recebeu recentemente a classificação de Sítio Histórico Europeu da Física, atribuído pela European Physical Society, tornando-se no único local em Portugal, e o segundo da Península Ibérica, a receber esta distinção.

O Exploratório Rómulo – Centro Ciência Viva, no Parque Verde, é mais um local dedicado à ciência, e sobretudo a um público mais jovem. Recentemente, este centro inaugurou um Pêndulo de Foucault no Departamento de Física da Universidade de Coimbra, que permite perceber o movimento que a Terra faz em torno de si mesma.

É também em Coimbra que está localizado o primeiro observatório do país, e o único dedicado à investigação do sistema solar - o Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra. Este situou-se no Pátio das Escolas, até 1951, data em que seria destruído na sequência da construção da Cidade Universitária. Por este motivo, o Observatório foi transferido para o Alto de Santa Clara, onde se encontra atualmente.

 

7 – Museu Nacional de Machado de Castro

Abriu pela primeira vez ao público em 1913 e deve o seu nome ao escultor conimbricense Machado de Castro, um dos mais notáveis da sua área no séc. XVIII. Foi recentemente requalificado e ampliado, num projeto liderado pelo conceituado arquitecto Gonçalo Byrne, e que lhe valeu o Prémio Piranesi Prix de Rome.

O museu é um espaço moderno e dinâmico, em relação harmoniosa com a zona histórica da cidade. Do vasto espólio que o constitui, destacamos o criptopórtico romano do séc. I, um trajeto labiríntico e iluminado pelas fundações do forum da antiga cidade de Aeminium; a exposição “A Última Ceia” de Hodart, patente numa sala com um cenário intimista onde ressaltam as características psicológicas das figuras; e a grandiosa Capela do Tesoureiro, de João de Ruão, pertencente à extinta Igreja de S. Domingos, na Rua da Sofia.



8 – Alta

A Alta coimbrã desenrolou-se a partir dos epicentros do Castelo de Coimbra (hoje extinto) e da Sé Velha, e encontra-se dentro dos limites (imaginários) da muralha da cidade. Contudo, durante o período do Estado Novo, entre as décadas de 40 e 70, a zona da Alta de Coimbra sofreu uma ruptura do seu tecido urbano. Foram destruídos mais de 200 prédios para dar lugar a um espaço exclusivamente universitário, com influência do estilo arquitetónico moderno e vanguardista, próprio dos regimes fascistas. Este episódio marcaria definitivamente o domínio da Universidade sobre a cidade de Coimbra. Vale a pena passear pelas ruas da Alta, incluídas na chancela Património Mundial UNESCO, e contemplar o estilo modernista da zona das faculdades, as repúblicas estudantis e o espírito académico em cada esquina.



9 – Quebra-Costas

O “Quebra-Costas” é o nome pelo qual é conhecida a rua que liga o Arco de Almedina à Sé Velha. Ao nível histórico, era a principal via de acesso de mercadorias e pessoas que vinham da Baixa/ Rio Mondego para a Alta da cidade. Hoje em dia, o percurso acidentado foi amenizado pela construção de escadas. Os edifícios desta área têm sido recuperados, procurando respeitar o estilo das fachadas (trabalho do Gabinete para o Centro Histórico, também ali localizado, no Arco de Almedina). Existem duas importantes estátuas no Quebra-Costas: a “Tricana de Coimbra”, um elogio personificado à mulher coimbrã, e o monumento de tributo ao Fado e Guitarra de Coimbra.

 

10 – Baixa

Desde sempre, a Baixa de Coimbra foi o local de comércio, circulação e azáfama. Marca desse tempo são os nomes das ruas com os ofícios que as caracterizavam: Rua das Azeiteiras, Rua dos Esteireiros, Rua das Padeiras, entre outras. Era também na Baixa que existia o principal mercado da cidade, na chamada “Praça do Comércio”. Aí funcionavam, além de feiras periódicas como a Feira das Cebolas, o Hospital Real, os Açougues, o Cartório, o Pelourinho, e pontualmente, os autos de fé. Para além de centro comercial e social, a Praça era também um local religioso, ou não estivesse rodeada por duas importantes igrejas que ainda hoje temos o privilégio de poder visitar: S. Tiago e S. Bartolomeu. Paralelamente à Praça, encontramos a Rua Visconde da Luz e Rua Ferreira Borges, que em conjunto formam a avenida de comércio tradicional e de requinte. Apesar do abandono e degradação da Baixa, vale a pena perdermo-nos nas suas ruas labirínticas que mantêm a memória da antiga vida da Baixa.



11 – Mosteiro de Santa Cruz

O Mosteiro de Santa Cruz é, desde 2003, Panteão Nacional. Aqui que se encontram os túmulos de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I, tendo sido aliás o primeiro a mandar erguê-lo, em 1132. No interior é possível ainda apreciar a Sala do Capítulo, o Claustro do Silêncio, e um órgão barroco com 3000 tubos! Nas traseiras do mosteiro existia o Claustro da Manga, cuja fonte ainda se pode ver no actual Jardim da Manga.

Em tempos, grande parte da cidade de Coimbra, e da região envolvente, pertencia aos monges de Santa Cruz: da Rua Sá da Bandeira ao Jardim da Sereia, da Rua da Sofia à Av. Fernão de Magalhães. Os terrenos de Santa Cruz eram infindáveis.

Foi também neste mosteiro que estudou Fernando Martins de Bulhões, antes de partir para África, e depois para Itália, onde ficaria conhecido como “Santo António de Pádua”.



12 – Rua da Sofia

A rua da Sofia, ou da “Sabedoria”, foi projectada no séc. XVI para receber a elite do conhecimento – aqui nasceram os primórdios da Universidade de Coimbra, antes de se ter fixado na Alta. Ao todo, existiram aqui 27 colégios, sendo que apenas 7 sobreviveram à erosão do tempo. São eles: o Colégio de S. Tomás de Aquino (actual Palácio da Justiça e Tribunal da Relação de Coimbra), o Colégio de S. Pedro (hoje ocupado pela Casa de Saúde de Coimbra), o Colégio de N. Sra. da Graça (que serve de novas instalações ao Centro de Documentação 25 de Abril), o Colégio de N. Sra. Do Carmo, o Colégio do Espírito Santo e o Colégio de S. Boaventura. Desta lista, faz também parte o Colégio de S. Miguel e de Todos-os-Santos (abordado no ponto seguinte).

 

13 – Pátio da Inquisição

O Pátio da Inquisição foi construído pelos judeus para receber o Colégio das Artes, no edifício do Colégio de S. Miguel e de Todos-os-Santos. (De salientar que Coimbra teve uma das mais importantes comunidades judaicas do país, e que muito contribuiu para a evolução da ciência e da arte).

Mais tarde, este local foi ocupado pelo Tribunal da Santa Sé e transformado em prisão. Dali eram transportados os condenados, entre eles, muitos judeus que recusavam a conversão ao Cristianismo, pelas ruas da Baixa diretamente até ao rio, o seu último destino.

Hoje em dia, o centro artístico da cidade está coerentemente aqui localizado. O Teatro da Cerca de S. Bernardo, a Escola da Noite, e o Centro de Artes Visuais vivem no Pátio. E já que falamos de arte, tome nota: a Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra “Ano Zero” começa já em Novembro.

 

14 – Mosteiros de Santa Clara

É na margem esquerda do Rio Mondego que se situam ambas as casas religiosas – Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e Mosteiro de Santa Clara-a-Nova – conhecidas pela sua ligação à Rainha Santa Isabel, pela produção de doçaria conventual (uma das suas famosas criações foi o Pastel de Santa Clara) e pelas “Abadessadas”, as tardes de serenatas que os estudantes ofereciam às freiras em troca de doces.

O Mosteiro de Santa Clara-a-Velha foi fundado por D. Mor Dias, no século XIII, e mais tarde, passou a ser gerido por D. Isabel de Aragão, que após sucessivas inundações causadas pelo Rio Mondego, manda construir o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em 1649. É aqui que se mantem o túmulo da Rainha Santa.

 

15 – Portugal dos Pequenitos

Podemos dizer que o parque lúdico-pedagógico Portugal dos Pequenitos é um aparente parque para crianças. Aparenta ser dirigido a este público, pela escala dos monumentos e decoração do espaço, mas a complexidade das lições de História e Arquitectura não está ainda ao alcance da petizada. O parque pode ser utilizado pelos filhos, mas são os pais e os avós que o compreendem. Nesta obra visionária de Bissaya Barreto, encontramos a cultura, a tradição e o património colonial português representado em miniatura. E este ano está de parabéns - faz 75 anos!

 

16 – Jardim Botânico

Outra das obras do projeto do Marquês de Pombal, o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra surge em 1772. Trata-se do maior jardim botânico de Portugal, e encerra uma das maiores coleções de plantas de todo o mundo. A Alameda das Tílias, o Recanto Tropical, e as Estufas Grande e Victoria são alguns dos espaços mais especiais deste jardim. É um local contemplativo e romântico, mas também dinâmico e enérgico. Abre-se à comunidade com visitas guiadas, sessões de yoga, desportos radicais, e muito mais. Em breve, o Jardim terá ligação directa à Baixa, junto ao Parque Verde, criando maior ligação com a cidade.

 

17 – Quinta das Lágrimas

A Quinta das Lágrimas, na qual está instalado também um Hotel de 4 estrelas e Academia de Golf, foi palco da trágica história de amor entre D. Pedro e D. Inês de Castro – os amantes mais famosos de Portugal. A Fonte dos Amores é o local preferido dos apaixonados, pelo seu romanticismo. Na Fonte das Lágrimas diz-se que correm as lágrimas e o sangue de D. Inês, ali mesmo assassinada - história que é corroborada por uma alga avermelhada presente na pedra da fonte.

Os Jardins da Quinta das Lágrimas são ricos em espécies de todo o mundo, como sequóias, cedros-do-himaláia, figueira da austrália, bambus, entre outros. A expansão e diversidade dos jardins muito se deveu à amizade entre o seu criador, Miguel Osório de Castro, e o Diretor do Jardim Botânico, chegando este último a receber sementes em duplicado: para o Jardim Botânico e para a Quinta das Lágrimas.

Mais recentemente, a Quinta viu nascer o Anfiteatro Colina de Camões, um anfiteatro natural com uma acústica admirável.

 

18 – Penedo da Saudade

Este miradouro ajardinado está intimamente ligado ao ponto anterior, pois, segundo dizem, era aqui que D. Pedro vinha chorar a morte de D. Inês, e terá sido precisamente ele a apelidá-lo de “Penedo da Saudade”. Ainda hoje é o recanto que todos os enamorados procuram, por se tratar de um local contemplativo e sereno, e oferecer uma vista ímpar sobre a cidade e o Mondego. Esta “saudade amorosa” funde-se aqui com a “saudade académica”, sentimentos tão caros à cidade de Coimbra. Na “sala dos cursos” e no “retiro dos poetas” podemos encontrar placas com versos de antigos estudantes e escritores, que dão ao jardim um ambiente ainda mais introspectivo.

 

19 – Parques e Jardins

Além dos já referidos Jardim Botânico, Quinta das Lágrimas e Penedo da Saudade, Coimbra tem outros parques e jardins que merecem a nossa atenção. O Parque Verde, ou Parque Dr. Manuel Braga, na margem do Mondego, é o local de partida d”O Basófias”, o barco que percorre o Rio. É também aqui que se encontra o Pavilhão Centro de Portugal, concebido pelos arquitectos Souto de Moura e Siza Vieira para a Expo 2000, que teve lugar em Hannover. No Parque existe ainda o Museu da Água, e a Ponte Pedonal Pedro e Inês, que liga as duas margens do Mondego (até à Quinta das Lágrimas). Também no perímetro urbano, existe o Jardim da Sereia, um jardim barroco, junto à Praça da República, outrora propriedade do Mosteiro de Santa Cruz.

Fora do centro da cidade, temos a Mata Nacional de Vale de Canas, a floresta que chegou a pertencer à Coroa Real, e que alberga a árvore mais alta do país – um eucalipto de 72m com cerca de 100 anos – e duas espécies endémicas – a Lagartixa-de-cauda-comprida e a Rã Ibérica.

A par de Vale de Canas, a Mata Nacional do Choupal é outro dos pulmões da cidade. Foi plantada para controlar as cheias do Mondego e contém flora diversificada (choupos, bambus, faias, loureiros, eucaliptos). Trata-se de um local muto procurado por desportistas, dispondo de um circuito de manutenção e em breve terá uma ciclovia.

Por último, e distanciada da cidade, a Reserva Natural do Paúl de Arzila é um pequeno paraíso que poucos conhecem, e um local de abrigo para espécies migratórias.



20 – Conimbriga

Situada a cerca de 15km de Coimbra, Conimbriga é a estação arqueológica romana mais bem preservada em Portugal e uma das dez melhores e menos conhecidas ruínas antigas do mundo para o The Guardian (Uau!).

Os romanos terão aqui chegado no ano de 138 a.C., durante o período de governação do Imperador Augusto e aqui permanecerem até à impiedosa invasão dos suevos no séc. V. Ao longo do tempo, foram construindo uma urbe com todas as instalações necessárias: habitações, termas, piscina, forum, muralha, cemitério, basílica. As casas senhoriais como a Casa dos Repuxos, a Casa de Cantaber ou a Casa da Cruz Suástica, atraem-nos pelos seus mosaicos com diferentes motivos: geométricos, mitológicos (como o famoso Labirinto do Minotauro), ou de episódios do dia-a-dia. Na imponente Casa dos Repuxos existe um magnífico peristilo ajardinado e, com apenas 0,50€, podemos ver o local ganhar vida própria com um jogo de 500 repuxos que conservam ainda a estrutura hidráulica original.

 

21 – Aldeias

São várias as aldeias não muito longe de Coimbra que merecem uma viagem de carro, mesmo que possa ser um pouco atribulada. Em comum, estas aldeias mantêm vivas as tradições, gastronomia e artesanato de outrora. As suas casas encavalitadas, quase sempre em xisto, lousa ou quartzito, e as ruas estreitas e sinuosas, configuram um todo bem encaixado na serra - arquitectura que parece reflectir a filosofia comunitária que ali se vive.

Dispersas pela Serra do Açor e da Lousã, rodeados de natureza em estado puro, estes pequenos cosmos têm uma mística especial. Faça uma pausa da cidade e refugie-se numa das aldeias da Serra do Açor (e.g. Piódão, Fajão, Benfeita) ou da Serra da Lousã (e.g. Talasnal, Candal, Cerdeira).

 

22 – Praias

Além das inúmeras praias fluviais existentes por toda a região (e.g. Praia Fluvial do Piódão, Peneda/Pego Escuro, Côja, Olhos de Fervença, Torres do Mondego), há cinco ou seis praias banhadas pelo atlântico e com areais dourados de perder de vista, a menos de 30 minutos da cidade.

Figueira da Foz é uma delas. Conhecida pela sua importância enquanto cidade portuária (daqui se escoaram os produtos da região, e aqui desembarcaram tropas de Wellington durante as Invasões Francesas), e pelo casino que atraía a mais fina burguesia, a Figueira contem algumas das praias mais procuradas: Buarcos, Gala, Claridade, Costa de Lavos e Cabedelo.

Ao seguirmos a linha costeira em direcção a norte, encontramos a Praia de Quiaios, Tocha, e Mira – terras de pescadores, onde pode esperar encontrar bom peixe e marisco.


23 - Gastronomia

Em termos gastronómicos, Coimbra absorve a influência da região das Beiras: um misto de produtos do Rio, da Serra e do Mar. A lista de pratos tradicionais inclui chanfana, leitão à Bairrada (típico da região da Bairrada, que sendo já distrito de Aveiro, fica muito próxima de Coimbra), Arroz de Lampreia, Sardinha na telha e batata assada na areia, Enguias fritas, Arroz de Pato, Peixinhos do rio, Cabrito, Coelho e Perdiz Assados, Negalhos, e Sopa de Casamento.

Destacamos ainda outros produtos que não faltam na mesa regional: enchidos (e.g. chouriço, morcela, bucho e paiola de Arganil), Queijo do Rabaçal DOP, Mel Serra da Lousã DOP, Arroz Carolino do Baixo Mondego IGP (a base do Arroz Doce da região), Sal marinho e Flor de Sal das Salinas da Figueira da Foz, Licor Beirão, Licor de Merda de Cantanhede, e os vinhos das regiões demarcadas - Dão, Terras de Sicó e Bairrada.

Reserve ainda espaço para a sobremesa, pois Coimbra sugere-nos Arroz Doce e uma vasta selecção de doces conventuais. Estes são provenientes das inúmeras casas religiosas espalhadas pelo distrito, que produziam doces para aproveitar as gemas excedentárias (as claras eram usadas para engomar hábitos e tecidos religiosos), aproveitando também a abundância de açúcar trazido do Brasil. Pastéis de Santa Clara, Barrigas de Freira, Bolo de Ançã, Arrufada, Manjar Branco, e Pastéis de Tentúgal, são apenas alguns dos doces mais famosos de Coimbra. Conseguimos abrir-lhe o apetite?

 

24 - Artesanato

Apesar da herança do “saber-fazer” se esbater com a passagem do tempo, existem actividades e produtos artesanais que caracterizam a região e estão ainda bem presentes na nossa memória colectiva.

Destacamos a Faiança Coimbrã, um tipo de cerâmica com vidrado de estanho que utilizava tradicionalmente tons de azul-cobalto em monocromia, mas também amarelos, verdes, e tons ocres. Foi esta arte que, durante muitos séculos, elevou o nome de Coimbra por todo o mundo.

Existem também outros exemplos do artesanato igualmente importantes na região: Ourivesaria (Cantanhede), Tecelagem (Almalaguês), Latoaria, funilaria e produção de palitos (Penacova), colheres de pau (Arganil e Oliveira do Hospital), Abanos de penas de Albatroz (Tocha), Arte Xávega e Cestaria.

 

25 - Tradição académica

Coimbra é detentora de uma forte tradição académica, ou não fosse esta a “Cidade dos Estudantes”. A presença da Universidade na cidade possibilitou a criação de dinâmicas e idiossincrasias que se enraizaram na comunidade estudantil, e que tornam a experiência académica intensa e marcante.

Um dos pilares desta tradição é a Associação Académica de Coimbra (AAC), a mais antiga associação de estudantes do país, fundada em 1887. A AAC é constituída por secções culturais, desportivas e recreativas, uma estação de rádio (Rádio Universidade de Coimbra - RUC), e organismos autónomos. Um destes organismos é a sua equipa de futebol – a “Briosa”.

Os estudantes da academia seguem a “Praxe”, um código de tradições e rituais, caracterizado pela expressão em latim: “Dura Praxis Sed Praxis” (“a praxe é dura mas é a praxe”).

As mais de dez Tunas, de estilos e origens diferentes, são muito populares entre estudantes e fazem também parte desta tradição.

A Festa das Latas e Imposição de Insígnias e a Queima das Fitas são as duas grandes festas dos estudantes. A primeira, começou por se realizar em Maio, e comemorava o término do ano académico. Contrariamente, a Latada hoje em dia é celebrada em Outubro e dá as boas-vindas aos milhares de novos estudantes (“caloiros”) que chegam à cidade. Antigamente cada faculdade tinha o seu próprio cortejo, mas actualmente reúnem-se todas num único cortejo.

Em Maio, realiza-se a Queima das Fitas, a despedida do ano lectivo. É nesta altura que se realiza também a Serenata Monumental, na escadaria da Sé Velha, e o Cortejo da Queima, em que os estudantes desfilam em carros alegóricos e os finalistas usam cartola e bengala.

 

26 - Fado

O Fado, Balada ou Canção de Coimbra caracteriza a música da cidade e dos estudantes, distinguindo-se do Fado de Lisboa. Nasceu na comunidade universitária, sofrendo influência dos locais de onde eram oriundos os estudantes. São os homens que habitualmente cantam, envergando o traje académico, acompanhados de Guitarra de Coimbra. É sobretudo no contexto das “serenatas” que a Canção de Coimbra se evidencia, com temas como o amor, a saudade ou a vida estudantil, tendo sido também usada como canção de intervenção, durante a Ditadura do Estado Novo.

Os expoentes máximos deste estilo musical foram Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Luís Goes, António de Portugal e Edmundo Bettencourt.

Existem vários locais onde se pode ouvir Fado na cidade, e se tiver sorte poderá encontrar uma serenata feita por um grupo de estudantes em plena rua.

 

27 - Fé

Falar de Coimbra é falar de Religião, não só pela existência de duas importantes religiões que marcaram a sociedade coimbrã (cristianismo e judaísmo), como pelas inúmeras casas religiosas espalhadas pela cidade, e ainda pelas três figuras que se destacaram e se tornaram ícones de fé: Fernando Martins de Bulhões, mais conhecido por Santo António de Pádua, Isabel de Aragão, a Rainha Santa, e ainda, a Irmã Lúcia, um dos Três Pastorinhos de Fátima. Todos eles tiveram, em algum momento da sua vida, ligação a Coimbra, e a sua presença e influência é ainda evidente nos dias de hoje.

A Rainha Santa é a padroeira de Coimbra e em sua honra todos os anos se comemoram as Festas da Cidade, com uma bonita procissão noturna de 2 em 2 anos. Em Julho de 2016, por ocasião dos 500 anos da beatificação da Rainha, o seu túmulo estará aberto e a sua mão exposta para veneração dos crentes.

Intimamente relacionados com a Rainha Santa, são os Caminhos de Santiago de Compostela, que a mesma fez questão de fazer por diversas vezes. Todos os anos, cerca de mil peregrinos atravessam o concelho de Coimbra rumo a Santiago. Existem pontos de orientação por todo o concelho, inclusivamente no centro da cidade (marcas de bronze no chão com o símbolo de Santiago – a vieira).

A Irmã Lúcia viveu durante 55 anos em clausura no Carmelo de Santa Teresa, onde se encontra hoje um Museu em sua homenagem, onde estão expostos os seus pertences e onde foi reconstituída a sua cela. No exterior do Convento, existe um Memorial que a homenageia.

Santo António de Pádua terá vindo de Lisboa para prosseguir os seus estudos no Mosteiro de Santa Cruz, e algum tempo depois, decidiu juntar-se aos frades do Eremitério de Santo Antão dos Olivais (actual Igreja de Santo António dos Olivais), onde tomou os votos da Ordem de S. Francisco.

 

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